quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sonhando Degolada

Sonhando nessa madrugada violentada

Sem manhas para raiar historias mal contadas

São horas nessa escuridão

De náuseas involuntárias pensadas


Choro nesse sonho murmurado em pesadelos

Projetados como curtas sangrentos inéditos

De minha autoria


Depreciada por atuar embasbacada

Apreciando uma obra de arte perfeita

Meu corpo bêbado de morfina

E minha mente aloprada


Admirada pela arquitetura mais recente de um louco

Avisto um corpo sóbrio de massa cefálica

E uma cabeça oscilante nem pendulo esquecido em pleno espetáculo


Chateada

Não pela barbaridade

Mas sim pelo fato de que sempre que sonho

Acabo por ficar tonta

E sem nada além de um cérebro falecido.

Permaneço eternamente adormecida.

Querosene

Banhei meu pálido corpo,
Antes salpicado de fluidos,
De querosene concentrada.

Sobreposta entre as gélidas faces de uma banheira,
Seu ralo fechado
Mas sua bica entreaberta.

Tateando fogo sobre a trilha inflamável
Que perseguia minha incasual mortalidade
Nas vésperas de ser um mero cadáver
O espetáculo e abrasivo
E a combustão é espontânea.

Meus pensamentos iluminado pelo eufemismo
E minha matéria carnal,
Que antes esbanjava diversidade
Agora só o orgânico resta.

Profissionalismo na psicose.
Assassinei meu corpo
Mas continuo a perturbar os abortados que me amavam.

Necrose

Baratas sapateiam no hospício dos mortos

E rodeiam pacientes dissecados

Rejeitando seus órgãos desprezados em formol


Esse grande hospital de loucos segrega-se em diversos itens, são eles:


Geladeiras humanas,

Para conservar corações vivos inativos,


Remédios,

Para matar os contaminados,


Macas,

Para adormecer os sadios


E jalecos,

Para profissionalizar os enfermos.


Essa é a fragmentação

De uma boa sociedade

[necrosada.

Heroína

Cicatrizada
De uma antiga amizade
Que meus soluços tratavam com analista
Foi minha heroína

Mas suas contradições
Exigem o cumprimento das variações
Esse era o seu padrão
Por isso não foi aceita por todos

Sua demanda social
Por mais que injetasse em muitos
A farta distribuição era heterogênea

O efeito imediato causado por ela
Exibia reflexos da falta de sanidade em longo prazo

Seus sintomas fluem pelo corpo
E carregam consigo
Outras companhias alucinógenas
Causando surtos psicóticos
E a dependência física de cicatrizes

Branco-Preto



Uma irmandade mais antiga que o amor

Em felicidade foi baseado,

Poucos são os membros.

Seu resumo:

Sentimento, desejo e agonia.

Aparentemente um dilúvio incontrolável em mim.


Possui simbologia declaradamente explicita

Interiormente suplico madeira de lei

Mas,

Refinadamente,

Salpicado de prata.


Cicatrizes louras em sua lateral

Revelam codinomes reluzentes.

Um projeto arquitetado por loucos,

Pois não há nada mais preciso

Que os serventes da loucura.


Sobrepondo letras formando um crucifixo,

Radiante transparece o que emerge em um papel qualquer;

Em rascunho Branco-Preto

Discretamente se manipula

Subseqüente a esse verso:


A

AMO

O

R

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desprovido de Nome

Um sentimento me abandonou
Ele se suicidou
Não resistiu
Ao tempo,
Aos insultos,
Á essa permanente relação paralela

No início era apenas uma desconfiança,
Depois,
Virou ganância
A gula dominou o ser
E de um dedo na aliança
Logo Fiquei sem

Mas não disso se saciava
A pertubação me aloprava
Acho que não perdi apenas algo
Perdi tudo
Era pobre
Já não era provida de conteúdo
Depois do desastre
Fiquei com o nada
O vazio não está dentro de mim
Já não abrigo mais nada
Nem vizinhos moram perto

Infelizmente,
Acho que o morte é a única que permanece olhando para minha breve vida.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pares em Pares

Duas linhas
Asseguram minha nudez
E a ameaça cresce,
despercebida,
Dentro da maior normalidade viva

Duas verticais
Caem na plenitude da loucura
E horizontalmente
Ambas reaparecem nuas

Dois versos me salvam
De um delírio exorbitante
Cuja sua descrição
Conjuga-se em um ato extravasadamente excitante

De pares em pares
Os organismos ganham a vida
Oriunda de uma concepção desprevenida

Da redução do físico de seres tão adjacentes
E da multiplicação da vida
Projeta-se uma conclusão precipitada
E palavras já postas em seus rumos
Não poderão ter suas direções reformuladas

Sentimentos ocultos emergem modelados de forma explicita
E são premiados com novas aparências
Máscaras teatrais rastejam para fora de suas cenas
E a mera realidade transborda translucida
Seguida de prazerosas sensações carnais.

A Droga

Essa droga me consome
Essa droga me cansa
Essa droga me vicia
Essa droga me relaxa
Essa droga me enlouquece
Ela me mata!

Mas essa droga me extasia
Toma o meu tempo além do vago
Ocupa não apenas o meu tempo
Mas também um lugar em mim
Um lugar que regularmente
Muitos preenchem
Mas logo esvaziam
Deixam-me sóbria
Mas não consigo permanecer assim
Procuro uma droga nova
Uma nova frequência de prazer
Uma sensação perto da loucura

Além do mais
Se o final da vida para todos é o mesmo
A droga apenas acelera o processo.